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Consciência e Razão

Consciência e Razão
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– A hora e a vez do trabalho interno –

De Virgínia Bernardes (vigb2012@yahoo.com.br) – Dezembro/2007

Enquanto continue o Ego dentro de nós, inquestionavelmente, o Eu, a Consciência continuará adormecida. Somente transformando o Ego advém o Despertar. Somente o Desperto poderá compreender os Mistérios Crísticos
Pistis Sofia

A necessidade do crescimento interno é hoje fator imprescindível para o avanço dos nossos trabalhos evolutivos. Não basta ter alcançado um bom nível energético, com as ondas cerebrais aceleradas, a carga elétrica corporal suficiente e o medo do contato sob controle. O nível de consciência/razão é hoje o desafio a ser transposto para que possamos continuar nossa trajetória evolutiva.

A Transição Planetária está em ato. Basta ter ouvidos e olhos para ver. Observamos diariamente que vivemos uma superposição de movimentos evolutivos.

A maior parte da humanidade segue vivendo entorpecida ao sabor do que ditam a mídia, os governos e as igrejas. O consumismo exagerado é seu motor e a busca de poder, ascensão social e beleza física, o seu leme. A ciência oficial dita o paradigma a ser mantido: tanto é que as discussões cessam quando se ouve “isto já está cientificamente comprovado”.

Por outro lado, uma pequena parte dessa mesma humanidade, consome o que precisa para ter uma vida confortável, dispensa seletivamente o lixo que produz e a informação que recebe, seleciona suas crenças e sua busca interna é pautada por um critério que ultrapassa e aprofunda a racionalidade ditada pela intelectualidade cartesiana.

Percebemos, na realidade em que vivemos, nas nossas famílias, no convívio com nossos amigos, locais de trabalho, ou através do mundo que nos chega pela mídia, que tudo, absolutamente tudo, pode acontecer nos dias de hoje.

É o Apocalipse, entendido como Revelação, também em ato. Hoje, não há nada mais que fique oculto ou escondido. Em todos os níveis, tudo e todos se manifestam, voluntária ou involuntariamente trazendo à tona aquilo que “estão” capazes de ser nesse momento.

Os dogmas, as doutrinas, as bases morais das sociedades, estão no mínimo abaladas no nível de seus alicerces. Corrupção, traição, ganância, crimes de toda natureza fazem parte do cotidiano traduzido pela mídia que consumimos. Quem de nós ainda não se questionou sobre o que estaria acontecendo com os conceitos de honestidade, lisura, lealdade, respeito, sexo, ética, amizade, amor, enfim, sobre tudo o que aprendemos como sendo os fundamentos necessários para um ser humano integrar-se sadiamente uma comunidade?

Enfim, a época em que as instituições tidas como títeres da moral e dos bons costumes está chegando ao fim. Basta abrir os jornais, as religiões, as igrejas o Estado, têm sido protagonistas dos mais variados escândalos em nossos dias.

O que significaria essa crise de valores? Para onde estaremos indo? Como explicar tamanha dicotomia entre o nosso avanço tecnológico e nossa postura deplorável como seres humanos?

Estas questões nos chocam, nos deixam perplexos, mas, ao mesmo tempo nos levam a perceber que, paralelamente a tudo isso, existe a possibilidade de um movimento de reconquista da nossa real existência.

Quando tudo parece entrar em falência a nossa volta, fica evidente que o único caminho confiável é o que nos leva a trazer para o nosso dia a dia a Presença do Divino em nós – o nosso EU SUPERIOR.

O desejo de manifestar nossa Dimensão Divina por si só já nos coloca noutro patamar energético e assim podemos traçar outra trajetória mais conectada com a realidade de nossa origem.

Nesse outro patamar, que nada tem a ver com alienação em frente às dificuldades cotidianas, podemos agir trazendo para nossa vida diária mais qualidade e significado.

Urge que façamos uma reforma íntima se quisermos estabelecer um patamar de Consciência e Razão compatíveis como o nível energético já alcançado.

Para isso, podemos trabalhar internamente seis pontos que farão a diferença em nossas atitudes rotineiras e que despertarão o divino em nossa ação. São eles: Não Julgamento, Neutralidade, Perdão, Medo e Culpa Zero, Positividade e Amor Incondicional.

Não Julgamento
Quase todos nós somos viciados em julgar, em criticar e emitir pareceres sobre tudo e todos. Esse vício se estende também à fofoca, maledicente ou não. Há toda uma indústria – novelas, revistas e programas de TV – que tornam pública a vida privada das “celebridades” com o intuito de manter esse vício e assim faturar fortunas com ele. Esse costume exacerba a vaidade, incita a inveja, promove os ciúmes e finalmente, aumenta o sentimento de sermos competidores e não parceiros.

Esta estratégia faz parte da tentativa de controle e manutenção da humanidade em baixos níveis conscienciais pelas forças involutivas. Faz parte da campanha de entorpecimento e alienação que o GO teima em patrocinar em escala global.

Se ainda consumimos e nos deleitamos com esse tipo de estímulo, decerto somos coniventes com isso, pois experimentamos prazer ao saber e comentar sobre a vida alheia em todos os níveis. É um gasto enorme de energia e de tempo, que poderiam ser revertidos para o nosso próprio processo de crescimento pessoal.

Por outro lado, ser expectador atento da vida que nos cerca pode ser importante para que observemos no outro o que em nós ainda está de certa forma velado, necessitando ser des-velado e trabalhado intimamente.

Entrar em contato com os sentimentos e emoções que são deflagradas em nós pelas atitudes alheias, guardando para si as impressões e usando-as para uma auto-avaliação, é um modo de se autoconhecer e de se transformar, além de trabalhar e evoluir nosso corpo emocional, reflexo individual do nível astral do planeta.

Observar respeitosa e discretamente a vida alheia, seja em escala familiar, social ou global, pode ser então um ótimo exercício de tolerância, paciência, auto-reflexão e acolhimento tanto de si como do outro.

Perceber que cada um de nós é, a cada momento, é a melhor versão possível de si mesmo, pode nos levar a um outro patamar consciencial.

Respeitar os limites e processos de cada um sem julgar ou criticar, apenas observando e compreendendo que cada caminho é um caminho válido, é uma forma de manifestar a essência includente e amorosa do divino em nós.

Neutralidade
Neutralidade não quer dizer passividade, indiferença ou inatividade. Ao contrário, a observação do externo, já se disse, pode provocar no indivíduo atento uma grande atividade interna no sentido do autoconhecimento e da autotransformação. Essa grande atividade interna vai acirrar a dualidade – fundamento da 3ª dimensão na qual ainda estamos imersos.

Esse será, pois, o momento de lidar amadurecidamente com as forças opostas que fatalmente surgirão.

A capacidade de viver em neutralidade não é inata. Demanda um grande trabalho interno no nível dos nossos corpos emocional e mental. No corpo emocional lidamos com os sentimentos e emoções. Não se trata de exercer controle, inibir, desconhecer ou negar o que se sente ou o que nos emociona – isso, já se sabe, causa a maioria das doenças do corpo físico – mas de reconhecer e acolher nossas emoções para em seguida transformá-las, através de um comando dado pelo corpo mental ao subconsciente, em energia vibracional/taquiônica, função do corpo mental.

Percebemos que, quando se incorporam esses procedimentos ao dia a dia, cada vez mais nos aproximamos de um estado de equilíbrio interno ou neutralidade. Esse equilíbrio na verdade se encontra numa faixa de tolerância dinâmica, não estática, que nos possibilita vivenciar as dificuldades cotidianas com maior estabilidade. Concretamente podemos passar a conviver e lidar de modo mais isento com as diferenças, diminuindo significativamente nossos impulsos competitivos, nossa arrogância, prepotência, vaidade, inveja, enfim, sentimentos e emoções que impedem nosso avanço consciencial.

Estaremos assim rompendo conscientemente o cerco emocional/mental que alimentam as forças involutivas. Estaremos nos apoderando de nossos próprios sentimentos, emoções e poder mental, reconhecendo e manipulando positivamente nossa própria força interna. Estaremos manifestando o poder do Divino em nós.

Perdão amplo, geral e irrestrito.
Se deixarmos de atender ao impulso da fofoca, da crítica e do julgamento e convergirmos e utilizarmos essa energia para observar e atuar em nossos próprios processos, nossas emoções e sentimentos certamente já estarão mais estáveis. O que significa que nosso corpo emocional/astral estará mais equilibrado, mais bem adaptado à faixa de tolerância.

Poderemos então perceber que, na verdade, estamos todos caminhando para um mesmo lugar, por caminhos diferentes, é fato, mas todos nós, mais cedo ou mais tarde compreenderemos e realizaremos totalmente a nossa Divindade.

Se vamos todos manifesta-LA, todos A temos e potencialmente todos A somos. É isso o que nos iguala. Nosso ego nos separa. Nosso Eu Superior (EU) nos junta. Nosso ego é circunstancial e perecível. Nosso EU é eterno e real.

O ego é uma criação biológica, familiar, social, cultural, histórica, e religiosa. Tem todos os atributos positivos e negativos que foram engendrados pela nossa civilização. O EU é a Centelha Divina que nos originou e habita o cerne do nosso ser.

Se somos isto em essência e em potencial, somos todos bons, belos e éticos. Somos Perfeitos – “Sois deuses, e mais e melhor que eu fareis…

O problema é que nos esquecemos disso ao encarnarmos, assumindo uma identidade incompleta e principalmente, separada da sua origem divina – nos tornamos o nosso ego. Como somos separados internamente, estendemos isso para o outro.

Mas quando nos conscientizamos da nossa verdadeira identidade, podemos ver cada um como sendo nós mesmos, isto é, uma outra centelha divina encarnada – uma Divindade em processo de realização, assim como nós.

Isso muda tudo. A nossa personalidade (ego) deixa de ser tão importante. Passamos a compreender que os erros de qualquer espécie e grau fazem parte do processo, por serem as contingências com as quais o caminhante se confronta. Dessa forma as questões podem deixar de ser pessoais e carregadas de conflitos egóicos.

As dificuldades e os erros, tanto os nossos como os dos outros passam a ser vistos como desafios, barreiras a serem transpostas, respostas evolutivas a serem dadas.

Se a cada um for permitido – no seu ritmo, a seu tempo, da sua maneira mais ou menos torta – caminhar do seu jeito de volta pra casa, o perdão será uma questão de compaixão, compreensão, consciência, vontade e trabalho interno.

Estaremos criando um novo paradigma para os relacionamentos humanos. Um novo paradigma onde a culpa não terá mais lugar já que não há o que ser desculpado. Assim, a pesada e culpabilizadora visão judaico-cristã do pecado seria substituída pela noção de erro, equívoco.

Já que estamos todos no mesmo barco, trilhando o caminho de volta às origens, já que esse é o nosso grande desafio, porque não vence-lo do modo mais rápido e certeiro?

Compreender os limites e perdoar amplamente de forma geral e irrestrita, é um mais um grande passo da expansão consciencial.

Dominar nosso ego e coloca-lo a serviço da nossa meta evolutiva e tornando-o instrumento do nosso EU é realizar a Divindade em nós.

Medo Zero
Quando perdoamos irrestritamente por compreendermos que tudo é processo e nível consciencial, não existe mais a possibilidade de que o outro nos ataque. Se não existe ataque não há porque haver defesa. Estamos todos compartilhando da mesma caminhada. Somos companheiros de jornada. Companheiros se agregam e são solidários porque sabem que só na união das forças o objetivo é alcançado. Essa união de forças é composta dos dons de cada um. Quando cada um pode manifestar seu dom, o resultado é criativo e belo, o que traz a alegria. Onde há alegria não cabe o medo, pois o medo é gerado pela falta, e a alegria é a festa abundante do amor.

A Divindade é plena de abundância e alegria. Ser próspero e contente é ser uno com Ela.

Positividade
O medo é o oposto da segurança e da confiança. O confiar (confidere = com fé) é a certeza de que tudo o que acontece, acontece para o melhor.

Todos os sentimentos e emoções que nos fazem sair do nosso eixo, do nosso centro, em outras palavras, tudo o que sentimos que nos separa do que realmente somos, baixam nossa vibração.

Sabemos que medo, culpa, irritação, raiva, inveja, ciúmes, depressão, enfim tudo isso nos debilita, por isso baixa nossa freqüência.

A construção do nosso ego e da nossa civilização se baseou nos princípios da escassez e da falta, do medo e da culpa, do pecado e do sofrimento porque isso desvitaliza o ser humano, tornando-o facilmente controlável.

Ao contrário, alegria, admiração, satisfação, solidariedade, compaixão, são sentimentos que aceleram nossa vibração.

No momento em que vivemos a questão vibracional é determinante. Como estamos, nós e o planeta, nos tornando mais sutis, a vibração está aumentando e em decorrência, nossa freqüência está cada vez mais acelerada.

Nosso EU vive na mais próspera abundância de tudo o que é bom. É disso que precisamos nos lembrar e apropriar, para que esse modelo equivocado e perverso da 3D seja substituído pelo paradigma da plenitude.

Como o sol que nasce e brilha a cada dia, independente da metereologia, manter a positividade em todos os momentos é mais um dos nossos desafios.

Amor Incondicional
Somos amados incondicionalmente quando somos aceitos em nossos limites sejam eles quais forem. Assim ainda nos ama Gaia, o sol, as águas, a natureza na exuberância do reino vegetal, os animais. Todas essas criaturas sencientes são obras do Criador Primordial que convencionamos chamar – Deus.

Somos todos – humanidades, planetas, sóis, reinos, seres – seus filhos, seus rebentos, suas centelhas.

Observar o milagre do sol de cada dia, da vida se fazendo em nossos corpos, do cerrado que brota vigoroso depois da primeira chuva, da paciência infinita e amorosa que os seres que nos contatam têm conosco… Observar isso cotidianamente, e tudo o mais que de bom nos rodeia, poderia servir como um exercício de amor incondicional para nós.

A hora é de darmos o tão propalado “Salto Quântico”. É de mudarmos de nível na espiral evolutiva. Esse momento no qual tivemos e merecemos a graça cósmica de estar encarnados, precisa ser conscientemente aproveitado e vivido, a cada segundo.

Somos pré-adolescentes cósmicos. Por isso, brincar de imitar, assim como as crianças quando estão aprendendo a ver o mundo, as coisas e a vida, ainda nos é permitido.

Imitar a Divindade no seu amor puro, uno e manifestado por nós, é dar o passo decisivo, porém, possível para nossa passagem para dimensões superiores.

Incorporar esse amor ao nosso dia a dia é a meta ideal para nosso patamar de consciência e razão. A escolha é nossa, o trabalho interno e externo também. Temos muito pouco tempo, por isso – mãos, corações e mentes à obra!!!

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