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Parceiro Oculto

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De Mauro Dias (maurodias19@yahoo.com.br) – Maio/2007


A palavra consciência é um atributo altamente desenvolvido na espécie humana, é a capacidade de perceber, de raciocinar, de analisar e compreender as realidades. Nos tempos primitivos da Terra, seus habitantes ao interagir com os elementos da natureza deram a partida para o processo de conscientização. A manifestação da natureza através de seus fenômenos e a própria dependência humana dos elementos naturais apontavam para a existência de uma Força Maior que orquestrava todos os acontecimentos.

Apesar da percepção tridimensional limitada, alguns homens primitivos percebiam coisas além dos cinco sentidos tridimensionais. Eram os xamãs, “feiticeiros” ou pajés que explicavam essas realidades através de estórias fantasiadas – eram, na verdade, os paranormais da época, capazes de interagir com outras dimensões.

O ser humano nunca ficou sozinho – sempre foi acompanhado por outros seres mais evoluídos que por meio de vários processos de comunicação, constantemente tentavam manter contato. Estão sempre nos envolvendo com suas manifestações de luz de alta vibração. Cabe a nós sintonizá-los e estabelecer o contato. Assim acontece com toda a manifestação divina. Conscientização é a descoberta da Energia Principal – é ligar “nossa tomada” nesta poderosa “Casa de Força”, é compreender todos os aspectos desta manifestação.

Os diferentes graus de conscientização produziram grandes distúrbios na história da humanidade. A pessoa mais consciente pode despertar admiração, respeito, inveja e temor, podendo representar perigo para os outros a ponto de desencadear até mesmo conflitos. Jesus veio trazer para a humanidade uma nova consciência que mudaria a trajetória da humanidade. Mas essa mudança assustava os dirigentes da época, resultando na sua perseguição e morte.

Toda forma de conhecimento amplia o grau de conscientização. Mas mesmo assim, muitas pessoas cultas ainda apresentam lacunas na complementação desse processo. A conscientização é todo o conjunto de informações que possibilita a cada pessoa compreender as realidades. Muitas pessoas de formação intelectual não foram ainda despertadas para a existência de seu parceiro oculto que pode causar grandes transtornos na sua vida. Este parceiro escondido e inseparável é o EGO.

Veja em seguida como esse parceiro foi surgindo disfarçadamente a seu “lado”, puxando o seu tapete sem você perceber, causando grandes embaraços na sua vida. Ele está sempre atuando em você, enquanto você permanece ignorando este fantasma que você mesmo construiu.

Nos primeiros dias da infância, a criança vive apenas de suas manifestações biológicas e instintivas. Somente aos três anos de idade que aparecem os primeiros sinais do ego. Sua formação é resultante da exigência do mundo. A convivência com os familiares desencadeia um jogo de interesses que a criança vai descobrindo casualmente e gradativamente.

O ego vai formando na proporção que a criança vai se relacionando com as pessoas. O carinho e as atenções dos familiares são os primeiros indícios do valor que ela tem. Como a criança busca entender essas relações, ela mesma age de maneira experimental, testando as relações entre ela e outras pessoas. Ela quer saber o significado de tantas atenções recebidas, porquanto já descobriu que outros não recebem o mesmo carinho.

É assim que surge a possibilidade de manhas e pirraças. Esse comportamento é a verificação que a criança faz para avaliar sua importância e medir seu poder. Em seguida ela participa de disputas infantis alimentando seu ego. Na escola seus colegas estabelecem comparações dizendo coisas do tipo, minha boneca é mais bonita que a sua, o carro de meu pai é melhor que o carro de seu pai. A criança analisa esta verdade e naturalmente terá uma reação de disputa para defender sua parte. Esse confronto poderá resultar em sentimentos de superioridade ou inferioridade. Assim o ego de cada uma delas vai ganhando corpo.

Nesse relacionamento com o mundo e com as pessoas, o jovem vai sentindo seu próprio poder – o que ele é capaz de produzir ou impressionar – até que ponto ele é submisso e até que ponto ele pode exercer o controle das pessoas. Mas isto acontece inconscientemente. Enquanto ocorre o crescimento físico, o ego também vai desenvolvendo paralelamente. Algumas pessoas não sabem da sua existência e por isto elas desconhecem este termo – pelo menos não têm uma idéia bem exata do vocábulo.

A palavra ego é de origem latina significando eu – mas um eu abstrato formado pelos sentimentos de importância, de valor e poder que as pessoas adquirem durante a vida. O ego é o eu virtual que todas as pessoas têm. Muitos sábios falam em apagar totalmente o ego, pois assim seria a forma total de libertação. Eles falam assim porque o ego pode se tornar o maior inimigo do homem. Apesar disto, o ego não pode ser eliminado integralmente, porque ele nos defende no relacionamento social. Mas também é ai que está o perigo, porque ele pode extrapolar e nos conduzir a um caminho infeliz.

Já que o ego é um parceiro inseparável, a solução é manter uma vigilância sobre ele. A primeira atitude é compreender sua forma de ação e em seguida procurar neutralizá-lo. O mais difícil nesta tarefa é estar sempre atento. Isto requer uma observação constante em todos os momentos da vida e muita vontade de acertar.

Na verdade, o ego manifesta através de nossa voz. Não pode ver ninguém por perto, que ele quer agir exibindo suas qualidades e é assim que escapa os seus defeitos. Ele é movido pelos instintos primitivos, por isto perde o escrúpulo e termina revelando suas características negativas tais como a vaidade, a inveja, a cobiça, a prepotência, a maledicência, o orgulho, o desprezo, a hipocrisia, o egoísmo, o ciúme, a timidez, a falsidade e a crueldade. O único momento que você não precisa preocupar com ele é durante a solidão quando ele fica inerte, pois ele só atua quando provocado por outros egos. Quando aproximar alguém, segure seu parceiro oculto – porque ele é impetuoso.

A pessoa que desconhece as particularidades do seu ego pode ser manipulada por outras pessoas astuciosas que exploram eficazmente cada um de seus aspectos. Por isto torna-se necessário isolar cada característica existente e dar atenção para cada uma delas. Você pode estar usando seu próprio ego contra si mesmo. Mas o pior de tudo é você descobrir que você foi manipulado por sua própria ignorância. As pessoas observadoras jogam com essas características para tirar vantagens de você, em benefício delas ou de outras pessoas.

Na tentativa de controlar o ego, muitas pessoas poderão radicalizar e querer eliminá-lo totalmente – mas isto é impossível porque ele é um parceiro inseparável. Acontece que, ele é formado no início pelos relacionamentos sociais, mas depois o próprio indivíduo contribui também na sua formação através de um raciocínio mais maduro que estabelece certos valores para si mesmo. Assim, começa a admirar seus próprios feitos, comparando suas realizações em relação aos outros.

Este é o início da construção da auto-imagem. Certas pessoas insatisfeitas com seu papel na sociedade, quase sempre acabam criando uma imagem falsa de si mesmo, surgindo assim a “máscara”. Para manter a máscara o indivíduo sofre, porque ele tem de fazer tudo para sustentá-la. Ele começa elaborar várias formas de mentira para garantir as aparências – ele pode até entrar no mundo da fantasia. Se por acaso alguém descobrir seu segredo, tirando-lhe a máscara, ele fará deste um grande inimigo. Esta é uma das armadilhas que uma pessoa pode cair por causa do ego. Muitas pessoas agem assim inconscientemente. Elas não conseguem ver suas próprias máscaras. Muitos precisam de um tratamento psicológico.

O maior cuidado no combate aos excessos do ego é com nossa mente, pois ela freqüentemente nos engana. Algumas pessoas têm o sentimento de inferioridade e inconscientemente não se relacionam com pessoas em níveis superiores. Elas agem assim para evitar a sensação real de inferioridade enganando a si mesmas. Elas procuram relacionar com pessoas inferiores culturalmente e economicamente, pois assim elas se sentem como reis.

Por outro lado, algumas pessoas agem de maneira contrária, procurando se relacionar somente com pessoas de nível superior. Neste caso elas vão ter a percepção falsa de que são superiores. Para fazer parte deste grupo, elas podem mesmo chegar ao extremo de bajular. Para neutralizar nosso ego precisamos observar os extremos e sempre procurar o equilíbrio.

As pessoas que são tratadas com cuidados exagerados na infância podem cobrar o mesmo da sociedade quando ficarem adultas. Geralmente terão grandes dificuldades no relacionamento com a sociedade, pois querem receber dela a mesma atenção que receberam dos pais durante a infância. Este conflito afetará o indivíduo na escola, na profissão, no trabalho e na vida afetiva. A sociedade não está disposta a fazer o mesmo e a pessoa se sentirá injustiçada.

Aquele que ignora o fator ego procura inconscientemente encontrar as causas de seus dramas no mundo externo – muitas vezes colocando a culpa nos outros. Com muita freqüência critica a empresa onde trabalha, o cônjuge, o governo, as realizações dos outros e busca sempre um culpado para justificar seus fracassos.

Para colocar nosso ego em equilíbrio temos de buscar no nosso interior as causas de nosso comportamento – avaliar a questão e partir para um novo estilo de vida. A ajuda de um psicólogo seria um bom auxílio. Mas cada um pode fazer isto sozinho se observar rigorosamente suas atitudes da mesma forma que observa as atitudes dos outros.

Muitas vezes uma pessoa fica decepcionada com ela mesma por ter tido uma atitude que logo depois ela mesma reprova – é o arrependimento. Mas quem agiu por ela foi o ego. Por isto é bom escutar primeiro, fazer perguntas e muitas vezes pedir um prazo para uma resposta ou ação. Este escrúpulo é uma forma de eliminar o ímpeto do ego. Nós passamos anos de nossa vida em disputas incentivadas pelo sistema de nossa civilização. O ego quer nos defender, mas ele quase sempre ultrapassa os limites estragando um bom relacionamento.

Procure adoçar as atitudes se seu ego com qualidades que contrapõem os defeitos, fazendo uma lista desses valores e procurando adotá-los. Esse exercício é uma análise e ao mesmo tempo uma solução.

Se você sentir inveja, procure compreender que o outro deve merecer o prêmio por valor próprio e que sua vez também poderá chegar um dia – pelo menos você passará a sentir grande satisfação com a vitória do outro. Se você sentir poderoso, lembre-se das derrotas passadas. Se você sentir que suas técnicas são inigualáveis procure olhar as estrelas. Ao adquirir riqueza, lembre-se que muitos são pobres e que você poderá compartilhar uma parte desta riqueza com eles. Não cobre visitas dos outros se você não faz nenhuma. Quando agregar valores a sua pessoa procure ser humilde.

Muitas pessoas confundem humildade com inferioridade. A humildade é o reconhecimento de suas próprias limitações – é dar o valor devido a cada ser humano – é enfrentar situações impróprias para seu nível sem alarde – é ser modesto. A humildade tanto pode ser do rico quanto do pobre. Existem ricos, sábios, grandes cientistas que são humildes, mas existem pobres que não têm nenhuma humildade – são os pobres soberbos.

A cobiça pode levar a pessoa buscar meios inadequados ou ilícitos para chegar a um fim. As coisas materiais constituem as propriedades – mas elas não passam de convenções humanas. Na verdade, tudo que temos, de certo modo, nos foi emprestado para a vida e com a morte elas ficam. Muitas pessoas podem perder seus bens muito antes de morrer. Neste particular, as pessoas precisam aprender que muitas vezes para ganhar tem de perder. A vida é um perde e ganha. Muitas vezes perder na vida pode ser a maneira de ganhar, dependendo do que vem depois.

A vaidade é o sentimento de sua própria importância nutrido pelas opiniões alheias. O vaidoso cai no erro de considerar somente a avaliação dos outros desprezando sua própria opinião. Muitas pessoas sabidas exploram a vaidade do outro para esconder o propósito de uma manobra ludibriando e explorando o vaidoso.

O poder pode levar a pessoa a tomar atitudes exageradas e cair num complicado jogo onde a saída pode ser um conjunto de erros com suas conseqüências desastrosas. O poder está intimamente ligado à cobiça, visto que a propriedade faz também o poder. A prepotência também está aliada ao poder. Os poderosos na ânsia de manifestar o poder acabam por vezes tornando-se prepotentes.

O ego é conseqüência das emoções. São elas que criam sentimentos e sensações de mando e submissão, supremacia e inferioridade, importância e exclusão, audácia e medo, amor e ódio, bondade e crueldade. Por isto temos de ser racional na análise do ego, pois é a razão que vai avaliar seus aspectos.

A ansiedade é uma das conseqüências do ego. Muitas promessas feitas na infância detonam a ansiedade nas crianças prolongando-se pela vida. Ansiedade é querer que as coisas aconteçam depressa – é encurtar a vida, pois a pressa tem seu ápice na morte. Ela deve ser curada com a espera tranqüila e a ocupação da mente com outra atividade até acontecer o desejo esperado. Ela acaba sendo eliminada com a ”arte” de esperar.

A depressão é uma sensação negativa, geralmente de baixa estima e de descontentamento. Sua cura pode ser feita com a ocupação da mente e com a capacidade de entender que isto também passará. A pessoa deprimida deve usar a razão e perceber que a vida tem extremos de altos e baixos. Nossa ocupação é que deve controlar nossos pensamentos. Por isto a pessoa experiente não permite ficar deprimida – ela põe sua mente num tipo de tarefa capaz de abafar a crise e com o tempo consegue superar depressão.

O ego é o causador dos dramas humanos. Na busca da felicidade a pessoa não percebe que já é feliz. Enquanto procura a felicidade ela continuará infeliz, porque acredita que ainda não a conseguiu. Muitas pessoas são infelizes com seu próprio consentimento e não sabem disto. Elas foram criadas de modo a aceitar sempre todas as imposições. O ser humano passou séculos em busca das coisas materiais e esqueceu das suas emoções.

Atualmente já se fala em inteligência emocional. Existem pessoas capazes, grandes profissionais, inteligentes, brilhantes, com esplêndidas realizações, mas com inteligências emocionais atrofiadas. São infelizes porque não reconheceram ainda seu parceiro oculto.

Através da história podemos admitir a existência de um ego coletivo, de um ego nacional. Basta lembrarmos dos grandes domínios, da escravidão, do extermínio e das guerras geradas por valores de superioridade. O ego coletivo seria a soma dos egos individuais modificados por algumas lideranças.

Seria bom considerar o ego como um amigo descuidado e indisciplinado. Na verdade, durante nossa vida, temos de “morrer” várias vezes para renascer e renovar nossos valores. Existem pessoas simples que por si mesmas já trabalham na observância e modelagem se seus egos – elas nem sabem disto – elas muitas vezes são pobres, mas desenvolveram uma sabedoria capaz de realizar esse avanço que chega a surpreender outros considerados mais dotados. Quando Jesus falou que “os primeiros serão os últimos e que os últimos serão os primeiros” Ele estava falando do ego…

Evite julgar os outros, porque você não conhece toda a verdade. Você só pode julgar você mesmo. Comece a trabalhar analisando suas atitudes. Não deixe seu ego extrapolar. Fique atento com suas atitudes verificando tudo. Pense muito antes – faça um adiamento de certas decisões. Assim suas idéias, seus desejos, seus ímpetos ficarão retidos temporariamente até uma nova avaliação mais ponderada. Você descobrirá que evitou muitos desgostos e mesmo desastres no seu relacionamento com o mundo.

Quando a pessoa atingir um grau avançado no domínio de seu ego, ela se tornará um simples espectador. Ela observará os acontecimentos com uma segurança plena. Se for necessário aparecer ou ficar em evidência, ela fará tudo da melhor maneira, com uma naturalidade como se estivesse sozinha no mundo, permanecendo na sua quietude de equilíbrio. Ela atravessará os dramas humanos sem se abalar. Ela transparecerá uma indiferença aos fatos – ela alcançará um estado de verdadeira paz interna.

Para manter contato com seres de outras dimensões, cada um precisa primeiro neutralizar seu ego. Os seres iluminados não estabelecem contato para satisfazer nosso ego. Eles são sensíveis à vibração decorrente da índole do indivíduo e assim não fazem continência às rotulações deste mundo.

A pessoa que consegue neutralizar seu ego vive sem expectativa e por isto não tem ansiedade. Ela não precisa competir e nem ficar em evidência. Ela não importa de ser a última. Ela não disputa lugar. Ela não sabe se é melhor ou pior que os outros. Ela não sabe se é a vez dela ou de outro, porque não pode interferir na seqüência dos acontecimentos. Essa pessoa já não participa do drama da dualidade. Ela se entrega despretensiosamente. Ela interage com a natureza. Ela brinca como se fosse uma criança. Ela não precisa vencer ninguém a não ser seu próprio ego. Ela está disponível todo o tempo e assim não tem pressa.

Surpreendentemente são elas que conseguem o contato. Geralmente são pessoas simples, pacíficas e pouco conhecidas, pois não precisam sobressair… São pessoas que mantiveram contato constante e repetidamente com Santos, Entidades Espirituais, Seres Dimensionais, Anjos, Seres Transmutados e Extraterrestres.

Por outro lado, aquele que é dominado pelo ego fica invejado, perguntando por que eles e não eu? Ele reclama. Ele torna-se descontente – tudo isto porque fica escutando os palpites impertinentes de seu parceiro oculto. Ninguém consegue dar este grande salto sem primeiro neutralizar este parceiro oculto e inseparável.

Este texto visa apenas ser o ponto de partida na conscientização do ego. Se você refletir profundamente em cada parte, com certeza, você descobrirá muitas particularidades valiosas sobre esse assunto, motivando a neutralização de seu próprio ego com resultados satisfatórios.

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