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Mundo Das Crenças

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De Mauro Dias (maurodias19@yahoo.com.br) – Dezembro/2007


Existe uma característica do ego pouco percebida pelos analistas. Estou falando da tendência do ser humano em querer igualar todos a si mesmo no tocante às idéias, aos pensamentos e às crenças. Essa situação tende a levar o controle de um sobre os outros. Podemos constatar como as pessoas ficam incomodadas com as diferenças dos outros, porque cada um toma a si mesmo como modelo para igualar os demais.

Constantemente presenciamos pessoas dando receitas para tudo – a maneira melhor de criar os filhos, o remédio melhor para tal doença, o supermercado de melhores preços e a religião mais verdadeira, etc. Essa tendência é própria do ser humano e muitos cientistas frequentemente demonstram estar sob esta influência. Eles criticam tudo e todos que estejam em desacordo com a ciência – agem como donos da verdade e esquecem os fatos da história da ciência.

O professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) autor do livro “Harmonia do Mundo” diz “Porque o esoterismo pseudocientífico faz tanto sucesso? Cita o francês Bernard Le Bovier de Fontenelle que em 1686 teria dito : Queremos saber mais do que podemos ver.

A crítica deste professor é natural, pois ele como qualquer outro quer igualar o pensamento dos outros ao seu. Ele fala de esoterismo pseudocientífico – será que existe outro que seja científico? Além disso, a frase que ele citou como sendo de Le Bovier está plenamente correta, pois nós realmente queremos saber mais do que podemos ver. Mas eu digo que isto é possível, bastando lembrar da história que nos relata que Demócrito, sábio grego, duzentos anos a. C. já falava do átomo e dizia: que podia perceber corpúsculos girando dentro da matéria em alta velocidade. Esta foi talvez a primeira constatação da existência do átomo.

Sabemos que o átomo nunca foi visto e fotografado pela ciência. Ele não pode ser fotografado porque a película fotográfica é formada por grãos de sais químicos e cada um é extremamente maior do que o próprio átomo. Mas a própria ciência sabe da existência do átomo e os cientistas nunca conseguiram vê-lo. Então, como Demócrito foi capaz de afirmar uma verdade constatada hoje? Ele não viu o átomo, não tinha aparelhagem de laboratório nuclear e como sabia desta verdade? Com certeza ele se baseou na intuição desenvolvida no lado direito do cérebro método utilizado pelos esoteristas e pelos ocultistas.

Também a própria ciência sabe que existem ondas eletromagnéticas que nós seres humanos não somos capazes de ver. Os satélites de prospecção são dotados de aparelhagem adequada para captar essas ondas, de tal forma que podem rastrear efeitos na superfície da Terra que nós não podemos ver. Essas informações são decodificadas em cores visíveis ao ser humano para análise dos fatos. No Brasil essas análises são feitas principalmente pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Todos nós sabemos que o ser humano tem cinco sentidos e que eles têm suas próprias limitações. Sabemos que o morcego se orienta por ultra-sons fora do alcance do ser humano. Também sabemos que os cães são dotados de ouvidos apurados que captam sons além da faixa espectral humana, por isto, são usados como vigia e guarda nas casas.

Essas descobertas e tantas outras foram realizadas por cientistas – e por isto fico espantado com a afirmação do citado professor. A própria ciência descobriu muitas coisas valiosas obtidas além da nossa capacidade sensorial. O inventor da roda pneumática foi criticado ao dizer que faria uma roda cheia de ar – todos ficaram perplexos, pois acreditavam que o ar não podia sustentar o peso do veículo. Da mesma forma, Oswaldo Cruz foi ridicularizado com a idéia da vacina no Rio de Janeiro. Fizeram música de carnaval com letra censurando tal idéia. Hoje todos nós somos usuários da vacina. Sabemos que as cobras são equipadas com um sensor de radiação infravermelho e que podem notar a presença de um animal a mais de 200 metros de distância. O ser humano não dispõe deste sensor e como foi que descobriu esta verdade?

Quando Tomé duvidou da presença de Cristo ao dizer que só acreditaria se tocasse Nele, ele estava demonstrando sua prisão e limitação sensorial. Por outro lado, Pedro acreditou sem tocar. Acreditou não porque viu, mas porque sentiu a vibração extra-sensorial do Cristo. Quando Cristo disse “bem aventurado” Ele quis dizer da superioridade de Pedro ao ultrapassar seu sistema sensorial básico – e isto não é um método esotérico?

Como podemos observar, ver não é tudo. Quem fala que só acredita vendo, está demonstrando sua própria limitação. Desta maneira, é natural queremos saber além da nossa capacidade de ver – é querer sair da nossa própria limitação. Neste particular o esoterismo está certo e todas as formas de estudo que objetiva descobrir, além dos cinco sentidos, as novas verdades.

Muitos estudiosos de fenômenos paranormais já presenciaram comprovadamente a materialização e o transporte de objetos, fenômenos que a ciência não consegue explicar. Muitos cientistas não conseguem entender tais fenômenos e por isto negam sua veracidade. O mundo é feito de idéias e crenças. Existem várias realidades que os cientistas não compreendem. Para os cientistas, a teoria das cordas e a existência de mundos paralelos é apenas uma hipótese já contatada pelas chamadas ciências ocultas. A verdade tem seu tempo e seu lugar. Uma verdade de hoje pode desmentir a verdade do passado. A própria ciência demonstra através de sua história que muitos conceitos e teorias são mutáveis ao longo do tempo.

Os cientistas, bem como qualquer pessoa devem ter uma mente aberta para verificar todas as possibilidades, sem tirar uma conclusão definitiva sobre um assunto. Ao invés de desvalorizar uma idéia, seria melhor dizer que ainda não compreende porque tanta gente aceita tal idéia. A história da humanidade está cheia de exemplos de desencontros de idéias, conceitos, teorias e crenças. Devemos acostumar com essas diferenças, porque cada um vivencia um mundo particularmente diferente.

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