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Plano astral e plano mental

Plano astral e plano mental
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De Carlos Roberto Pereira (crpbeto@yahoo.com.br) – Novembro /2007


É freqüente, nos meios espiritualistas ou de relacionamento energético e vibracional, a utilização de expressões que constituem terminologias próprias e que trazem dificuldade de compreensão, às vezes, aos próprios freqüentadores dos grupamentos, o que não dizer daqueles que não têm afinidade com tais expressões.

Dentre essas questões, situam-se o entendimento e a prática do que se chama plano astral e plano mental, que têm conotação universal, no sentido de sua expressão cósmica, e conotação individual, que afeta a cada ser humano nesta dimensão de vida, como se verá a seguir.

Plano astral

Para qualquer situação, conforme recomendam as regras de vigilância, é necessário ter informações que permitam conhecer primeiramente o que representa o ambiente que se pretende lidar.

Em se tratando do plano astral, a basilar compreensão de sua natureza favorece adotar posturas para se ter segurança no trato de questões afins à sua matéria, bem como permite, após os necessários cuidados, trabalhar sobre ele no sentido geral e individual, preparando-se para etapas mais importantes no curso da vida.

No sentido do plano astral em si, os dotados de vidência ou percepção extra-sensorial o descrevem com características do seguinte modo: denso nevoeiro, cores que se misturam e interpenetram, confusão, entre outras distinções.

No sentido do plano astral individual, ele se associa à desordem interior de uma maneira geral, o que também pode ser estendido à dificuldade de cada indivíduo entender a sua própria desordem, a desordem da humanidade e a desordem do mundo.

O corpo astral requer disciplina e ela é obtida mediante o emprego da mente analítica, que é capaz de qualificar bem as situações e de permitir, mediante esforço, discernimento e vontade, adotar atitudes positivas para a eliminação dos vícios e hábitos que expressam a manutenção das emoções que impedem o avanço para as reais conquistas.

É natural que quase a totalidade da massa humana tenha experiências do plano astral, afinal, o ser humano tem uma cultura de desejos expressos nas mais diversas situações, de individuais a coletivas, que são estimuladas no dia a dia pelos meios de comunicação e pela sociedade de cunho capitalista. Contudo, esta manutenção vigorosa dos desejos cria uma atmosfera geral que interfere na condição do desejo individual de cada um, contribuindo para a desorganização geral do ambiente planetário, bem como para a individualidade do ser, caso não cuidada a sua reparação.

Registre-se, também, que este plano astral, associado vigorosamente à vida planetária pelas constantes mudanças de seus habitantes no processo de renovação da vida consoante a programação evolutiva do orbe, mantém um acervo de emoções guardadas nos registros etéricos, produzindo efeitos sobre uns e outros de forma diferenciada, compatíveis com a correspondência que encontra internamente em cada um.

Aqui começa a identificação da responsabilidade de cada ser humano na consagração de sua tarefa de organizar a si próprio e contribuir para a organização do planeta e da sociedade humana, cumprindo os desígnios evolutivos, substituindo a ilusão e passando a viver uma realidade de base sustentável.

Esta realidade significa buscar o caminho da libertação. O plano astral é o campo de luta do ser humano, onde ele encontra os atrativos do menor esforço – ilusões, ambições, interesses egoístas, encantamento da vida dos prazeres e das seduções, entre outros – e deve substituí-los pelo despertar consciente de sua sensibilidade de essência divina, fazendo renascer a chama crística de sua verdadeira natureza.

Altos e baixos são comuns na vida humana, principalmente quando se deseja fazer mudanças que signifiquem correção de rumo, passando da instabilidade habitual para uma estabilidade emocional (conservando-se na faixa de tolerância), que pode exigir demorado tempo para a sua consecução. Este esforço para a mudança é que atesta a competência que cada um tem para atingir outro padrão evolutivo.

A dualidade parece antagônica, mas ela é uma ação recíproca que faz o ser humano oscilar ora para um lado ora para outro, porque ela está dentro dele e ao seu redor, exigindo que, em determinado momento, faça a escolha e encontre a sua libertação. Porém, não se trata de escolher o bem e abominar o mal: ele deve buscar o equilíbrio da oposição das forças, somente assim se tornará forte para lidar com os seus aspectos negativos, utilizando sabedoria e inteligência, e para favorecer-se da luz que o conduz, ganhando consciência de seus estados naturais – ânimo, emoções e sentimentos, desejos e aspirações -, caminhando para o domínio da natureza mental.

A pessoa que possui corpo astral mais desenvolvido – que tem mais relacionamento ou atratividade com o plano astral – apresenta tendência para absorver maior tensão emocional em suas atividades, em detrimento da expansão do corpo mental. O recurso, como fator de equilíbrio dessa tendência, é a busca da conscientização de sua vontade divina em contraposição à vontade egoísta de cunho materialista e reveladora da associação com interesses inferiores. Assim poderá entender a ação dual, trabalhando pelo equilíbrio em sua vida, e reconhecer o resultado de seus esforços, ajudando-o a caminhar em direção ao seu Eu Divino, onde pode alcançar o estado de sublimação ou o denominado “reino dos céus”.

O plano astral vai cedendo espaço quando o ser humano é capaz de desenvolver o silêncio em sua mente. O ser humano se torna mais vigoroso, aumenta a sua força vital e o equilíbrio desponta como resultado. O caminho para o alto é lento e progressivo; o caminho para as inferioridades, envolvido na ilusão, é imediato.

Considerando o aspecto ilusão, o ser humano deve avaliar três situações que podem causar embaraços em sua busca evolutiva, relacionadas:

• Ao egoísmo, que é considerado a chaga da humanidade; 
• Ao medo, que prossegue na vida humana em decorrência da ignorância que ainda prevalece, seja por recordar sofrimentos e penas passadas, seja por receio de passar sofrimentos no futuro, seja por amparar-se em justificativas ou preconceitos arraigados em crenças ou superstições; 
• À atração sexual, que pertence basicamente ao plano físico e favorece a desordem emocional, quando domina os sentimentos em desvario.

Plano mental

Este plano consiste em a mente exercer controle sobre a natureza psíquica, desenvolvendo uma conscientização que leva ao habitual uso da intuição.

O plano mental associa-se ao correto uso do pensamento.

Contribui para o aumento da energia mental a disposição do ser humano cooperar com os seus irmãos em experiência terrena, o que favorece o seu aprendizado de servir e o afasta da influência do plano astral, porque pode praticar o desprendimento – trabalha o egoísmo – e amar desinteressadamente, outro fator importante para a senda evolutiva. Cooperar com os seus semelhantes, ao contrário do que muitos pensam, é trabalhar no sentido da evolução própria, tornando-se benefício maior para quem ajuda. Os trabalhos grupais, desenvolvidos em harmonia, são reorganizadores do mundo interior e fortalecedores dos laços de equilíbrio de seus membros.

Muitos procuram mentalmente se interiorizar, dedicando-se a trilhar um caminho que busca o equilíbrio. Esta prática é muito comum no Oriente e consagrada como meio de alcançar o discernimento e a paz interior. No Ocidente, a mente é mais irrequieta e a ação – voltada mais para o mundo exterior – é que lhe possibilita os meios de atingir os resultados que deseja.

Era muito comum no passado o ser isolar-se do mundo para alcançar os seus propósitos de transcender. Hoje, em quase todas as culturas religiosas, particularmente nas cristãs, vê-se que a ação grupal tem sido estimulada, de modo que o ser humano possa aprender com o seu semelhante o que precisa melhorar em si e lutar, em decorrência desse contato amiúde, com os seus próprios aspectos que ainda lhe causam dissabores e incompreensão.

A mente desenvolvida pela intelectualidade muitas vezes constitui obstáculo ao progresso em sentido de transcendência, porque busca, via de regra, adequar os acontecimentos externos à sua compreensão do momento, impedindo o crescimento de novas oportunidades no campo da experiência, retraindo-se, inclusive em algumas ocasiões, por não sentir o amparo de enfrentar a nova situação.

Percorrer o caminho do plano mental exige uma postura de atualidade, de renovação, de propósitos elevados, de sintonia verdadeira com a expressão de energia que vem de planos superiores, captada pela mente afinada com o plano vibracional e sustentada em sentimentos de maior pureza.

A mente é um dínamo que faz tudo desenvolver, porém o coração amoroso, que tem por marca o altruísmo, conduz a mente por caminhos verdadeiros para os resultados da realidade do ser em comunhão com os planos de superior energia.

A vontade é uma ordem para desenvolver qualquer ação, mas a sensibilidade do coração é a certeza do andar certo pelos caminhos incertos.

Um plano sucede o outro no caminho da evolução e se interpenetram e se interligam no aperfeiçoamento das energias para alcançar o todo, o conjunto de purificação dos corpos, transformando em um, que é a conscientização, na mente, da dualidade.

A expansão da mente criativa se dá pela transformação, não pela reprovação de conteúdos. É no silêncio mental que surgem as edificações verdadeiras, os propósitos do bem são estimulados e o coração reage com sua sensibilidade maior para a vida.

É muito comum e de sentido confortador entender que a paz que o Cristo sempre manifestou seria a obtenção de uma vida perfeita sem obstáculos, sem dúvidas, sem novas injunções que estimulam a renovação, o discernimento e o raciocínio lógico para as suas elucidações. A paz do Cristo, tão utilizada no convencionalismo da vida e nos cumprimentos, conduz ao entendimento da serenidade que se deve ter diante dos acontecimentos que a mente se vê envolvida comumente.

O plano mental é mais do que a mente como é conhecida. Envolve todo um arcabouço de transformação, que cada um deve percorrer com entendimento e dedicação, para que possa alcançar com a sua vontade, com o seu desejo e com o seu pensamento os planos mais sutis de vibração.

Mentes superiores estão muito atentas ao desenvolvimento mental da humanidade e ao despertar crístico dos corações. “A cada um segundo as suas obras” ainda é perfeitamente aplicável ao atual momento da humanidade, para que cada um possa percorrer o caminho de sua preparação interior para novo estágio de evolução.

Considerações finais

Quando se pensa em termos de plano astral, há quase uma unanimidade em acreditar em situações difíceis, em que as pessoas envolvidas neste tipo de energia demonstrariam o seu mau humor, condições depressivas e outras similares de energias inferiores, representando desequilíbrio expresso. No entanto, mesmo sutilezas ocorrem neste plano e nem sempre são percebidas, e uma delas é a felicidade. Em se apoiando nas emoções a felicidade é considerada uma reação da personalidade, quando se satisfaz em alguma parte da natureza inferior do ser – falta de virtudes -, causando separatividade pelo processo de superioridade que se instala no favorecido com o seu bem-estar físico, com o ambiente ou personalidade que o compõe.

O oponente a este estado é a alegria – alegria interior. Ela é considerada uma qualidade da alma. Quando ocorre o alinhamento dos corpos ou centros de energia, ela é conscientizada na mente. A alegria surge naturalmente como efeito da consciência de grupo, da solidariedade grupal, da unidade com todos os seres.

A conscientização do ser humano de que ele é um ser grupal é o caminho para reverter as instabilidades atuais na marcha do progresso planetário e atingir a evolução do conjunto humano pela associação de interesses superiores nas conquistas do desapego e na instalação do amor altruístico nos corações que ainda guardam infortúnios pelos acontecimentos da vida material.

Como síntese, registre-se a sábia palavra do apóstolo Paulo: “tudo posso, mas nem tudo me convém”.

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