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Telefonia celular e as neoplasias malignas

Telefonia celular e as neoplasias malignas
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Doutora Adilza Condessa Dode – Imagem da Internet.

– Engenheira Eletricista – PUC Minas;
– Engenheira de Segurança do Trabalho – PUC Minas;
– Mestrado em Saneamento Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Escola de Engenharia UFMG – “Poluição Ambiental e Exposição Humana a Campos Eletromagnéticos: Estudo de casos no município de Belo Horizonte com ênfase em Antenas de Telefonia Celular”;
– Doutoranda na UFMG, na mesma área;
– Consultora da MRE Antenas – Engenharia Ambiental;
– Professora dos Cursos de Engenharias do Centro Universitário Metodista de Minas Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais;
– Engenheira de Segurança do Trabalho da Secretaria Municipal da Saúde – PBH;
– Professora convidada dos Cursos de Pós-Graduação em Medicina do Tráfego – Ciências Médicas e Saneamento Ambiental, Segurança do Trabalho, Toxicologia Industrial – Universidade de Uberaba – UNIUBE e Faculdade São Camilo.

De acordo com a doutora Adilza Condessa Conde os campos eletromagnéticos e suas repercussões sobre o meio ambiente e a saúde publica vêm se construindo, hoje em dia, em uma importante área de pesquisa, no Brasil e no mundo.

Nos últimos anos tem havido muita discussão em relação aos riscos à saúde e alguns estudos recentes têm sido apresentados aos usuários dos telefones celulares e às comunidades que residem nas proximidades das Estações Radiobase – ERB’S

As ERB’S são chamadas popularmente de “Antenas” – Imagem da Internet.

Pelas informações da Anatel (21/10/2013), o Brasil tem mais de 265 milhões de celulares ativos. E pelos dados da União Internacional de Telecomunicações (Genebra), até o final do ano de 2014 o numero de celulares no mundo chegará a 7 bilhões. O aumento gigantesco do uso desta tecnologia, que junto a ela traz um crescente numero de ERB’S, espalha-se por todo o planeta. Portanto, enquanto se observa a este respeito um crescimento muito rápido, tanto na introdução quanto na disseminação desta nova tecnologia, constata-se uma lentidão nas pesquisas cientificas sobre os seus possíveis riscos à saúde.

O uso disseminado desta tecnologia está trazendo preocupações para a comunidade cientifica, quando se nota a necessidade de uma rede cada vez mais extensa de ERB’S (Estações Radiobase), para assegurar a cobertura dos aparelhos celulares. Portanto, o uso expandido desta tecnologia está trazendo preocupação tanto para o meio cientifico quanto para a população em geral

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Para evitar exposição prolongada às radiações eletromagnéticas, a doutora e engenheira Adilza Condessa Dode usa celular apenas em casos de extrema necessidade. A preocupação decorre de estudos que desenvolve há cerca de uma década, com o intuito de descobrir os efeitos físicos, químicos e biológicos da radiofrequência nos seres vivos. Em tese defendida na UFMG esta cientista confirma através de suas pesquisas a hipótese que há correlação entre os casos de óbito por neoplasia e a localização de antenas de telefonia celular.

Afirma esta cientista e pesquisadora, que a poluição causada pelas radiações eletromagnéticas é o maior problema ambiental do século 21 e que por este motivo recomenda a adoção pelo governo brasileiro do chamado principio da precaução, aprovado na Conferencia Rio-92. De acordo com este principio, enquanto não houver certeza cientifica da inexistência de riscos, o lançamento de novo produto ou tecnologia deve ser acompanhado de medidas capazes de prever e evitar possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.

Esta pesquisadora preocupada com a quase inexistência de dados sobre os efeitos de uma tecnologia que rapidamente se popularizou, ela no ano de 2003 provou em nível de mestrado na UFMG, a existência de sobreposição de radiação em áreas onde há antenas instaladas, o que causa contaminação eletromagnética.

E já em nível de doutorado trabalhou com a hipótese de relação entre mortes por câncer e proximidade residencial com antenas – estações radiobase (ERB) de telefonia celular. Nesta ocasião ela realizou pesquisa em bancos de dados preexistentes, cruzando informações sobre óbitos em Belo Horizonte, entre o ano de 1996 a 2006, com informações populacionais fornecidas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Infográficos de Rubens Paiva e Eduardo Asta – AE

Nestes 10 anos de suas pesquisas os 22.543 casos catalogados de morte por câncer, ela selecionou 4.924 deles cujos tipos, por exemplo, o de próstata, mama, pulmão, rins, fígado, que são reconhecidos na literatura cientifica como relacionados à radiação eletromagnética.

Em uma segunda fase destes seus estudos esta pesquisadora elaborou uma metodologia inédita, utilizando o geoprocessamento da cidade Belo Horizonte, para descobrir a que distancia das antenas moravam estas 4.924 pessoas, que morreram neste período. Nestas suas pesquisas, até 500 metros de distancia das antenas, ela encontrou 81,37% dos casos de óbitos por neoplasias.

De acordo ainda com esta pesquisadora, nos últimos anos houve no País com o aumento do uso da telefonia celular, o crescimento de casos de câncer de encéfalo, como atestam dados do Instituto Nacional de Câncer. Ela ao mesmo tempo em que menciona não poder afirmar categoricamente que a incidência também deste tipo de câncer seja o aumento da telefonia celular, indaga-se, qual o fator novo que se mostra (tão perto do corpo) neste período?… O fator ambiental de conhecimento público é a telefonia celular, não há outro, continua ela dizendo!…

Infográficos de Rubens Paiva e Eduardo Asta – AE

Saber níveis seguros de radiação para a saúde humana esta é a questão, porque ninguém sabe até agora, quais os limites de uso inócuo à saúde, menciona a doutora Adilza Dode.

Esta estudiosa diz que os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes, normatizados em legislação federal. Mas, estes padrões são inadequados. Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da eficiência e da redução de custos e não com base em estudos epidemiológicos, assegura esta pesquisadora.

Somando-se aos estudos da professora Adilza Dode, estão àqueles outros efetuados pelo professor Álvaro Augusto Almeida de Salles da UFRS, quando menciona não existirem pesquisas epidemiológicas relacionadas aos efeitos das ondas emitidas por equipamentos de wireless, wi-fi e bluetooh, que irradiam em níveis baixos, mas irradiam de forma contínua. As pessoas estão transformando-se em cobaias de tecnologias, que ainda não se mostraram inócuas, menciona este pesquisador.

A doutora Adilza Dode informa também, que os campos eletromagnéticos interferem em equipamentos biomédicos e que por isto, é aconselhável desligar o celular ao entrar em hospitais. E, menciona ainda, que não deve de forma alguma instalar ERB em área hospitalar. As pessoas independentemente de estarem usando ou não celulares, recebem radiações emitidas pelas antenas de forma continua.

Esta cientista informa ainda mais que países como Suíça, Itálica, Rússia e China já adotaram padrões bem mais baixos que os permitidos pela Comissão Internacional de Proteção contra Radiações (Icnirp).

Em sua tese a doutora e pesquisadora Adilza Dode cita diversos estudos internacionais que procuram compreender os efeitos dos campos eletromagnéticos. Um deles é o Projeto Reflex financiado pela União Europeia e realizado em 2004 por 12 laboratórios especializados em sete países. De acordo com estes estudos a radiação eletromagnética emitida por telefone celular pode afetar células humanas e causar danos no DNA, ao alterar a função de certos genes, ativando-os ou desativando-os. Outro estudo realizado em Naila (Alemanha) constatou a incidência três vezes maior de câncer em pessoas, que viveram em um raio de até 400 metros das antenas de telefonia celular.

Em Netanya – Israel, outro estudo mostrou o aumento de 4,15 vezes na incidência de câncer para os moradores que residiam dentro de um raio de até 350 metros das antenas de telefonia celular. Existem ainda pesquisas que apontam riscos maiores para as crianças, devido às especificidades de seu organismo. A penetração das radiações eletromagnéticas no cérebro das crianças é muito maior que no dos adultos, menciona esta pesquisadora.

A doutora Adilza Dode não é contra a telefonia celular, como ela salienta. Apenas deseja que o Brasil adote princípio de precaução, até que novas descobertas científicas sejam reconhecidas como critério para estabelecer ou modificar padrões de exposição humana à radiação não ionizante.

Para ela o Brasil deveria adotar limites já seguidos por países como a Suíça. E o País não deveria permitir a transmissão de sinal de tecnologias sem fio para creches, escolas, casas de repouso, residências e hospitais. Deveria ser criada infraestrutura para medir e monitorar os campos eletromagnéticos provenientes das estações de telecomunicação e desestimular ou proibir o uso de celulares por crianças e adolescentes.

Infográficos de Rubens Paiva e Eduardo Asta – AE

Aos usuários dos celulares esta pesquisadora sugere que não andem com eles junto ao corpo. E quando adotarem a pratica de comunicarem com esta tecnologia, que evitem ao máximo sua proximidade ao ouvido e que afastem de outras pessoas neste momento. Ela ainda aconselha, que os prédios tenham área reservada para o uso de celular e que seus os moradores não aceitem neles a instalação de antenas.

Novas tecnologias estão cada vez mais presentes no mercado da telefonia celular, como o 3D e o 4D, que exigem para uma maior e melhor capacidade de funcionamento ainda mais antenas. Outras tecnologias como o iPad wifi, iPad 3G, Tablet e smartphone são ainda algumas destas tecnologias, que entre outras já estão à disposição da população.

Os “questionamentos” atuais em relação ao uso dos celulares, eles se lembram de certa forma àqueles de outrora do cigarro, que até serem respondidos e serem nocivamente aceitos, eles ficaram em debate por décadas, enquanto milhões de pessoas iam morrendo…

Fontes de consulta:
Adilza Condessa Dode – www.mreengenharia.com.br …
www.mreengenharia.com.br/pdf_novo/mestrado_2013.pdf
www.mreengenharia.com.br/tese_ufmg.php
www.quimicosunificados.com.br/…/medica-associa-uso-de-celulares-a-di…

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